04 Setembro 2009

Serviço de Utilidade Pública

Por Zarathustra Jr.

Tem dúvidas se seus amigos são mesmo pra frentex como dizem ou nazistas enrustidos? Não tenha mais!
Mande o questionário abaixo pra todos eles e saiba com quem não deve mais perder seu tempo. É grátis!


RESPONDA O TESTE E DESCUBRA O QUANTO É PRECONCEITUOSO!!!


1 – Qual desses adjetivos combina mais com você?

a) Racista
b) Homofóbico
c) Hipócrita

2 – Para você, quem gosta de sorvete de jiló:

a) É uma aberração da natureza.
b) É uma pessoa que está confusa, mas pode gostar de sabores normais se passar por um tratamento especial, tiver disciplina e fé no poder do sangue de Cristo.
c) Você não tem nada contra. Só pede que não faça isso na sua frente.

3 – Em uma festa, numa roda formada por uma moça paraplégica, um casal de jovens negros, uma loira gostosa, um anão e um senhor de idade português, você prefere contar uma piada de/sobre:

a) Gordo
b) Albino
c) Bicha

4 – Como você xinga um amigo quando o time pro qual ele torce ganha do seu?

a) Seu hétero!
b) Sua bicha!
c) Sua nigrinha!

5 – Se pudesse escolher, qual carreira o seu filho não seguiria de jeito nenhum?

a) Deputado
b) Bailarino
c) Cabeleireiro

6 – Quais dessas pessoas nascidas com condições irreversíveis, poderiam nunca ter surgido no mundo?

a) Daltônicos
b) Canhotos
c) Homossexuais

7 – Quentin Tarantino sai do armário, você:

a) Sempre disse que aquele piolho era lêndea.
b) Fica profundamente decepcionado, joga fora seus DVDs e decide nunca mais ver um filme dele.
c) Já sabe como vai quebrar o gelo na festinha do próximo fim-de-semana.

8 – Sua integridade perante sua família, vizinhos, amigos e colegas de trabalho está ameaçada quando:

a) Você veste uma camisa cor-de-rosa.
b) Usa wallpaper colorido no computador.
c) Abusa de seu poder num cargo público em proveito próprio.

9 – Você não consegue identificar homossexuais com facilidade, então:

a) Arrisca passar por gafes com desconhecidos, mas não perde a piada.
b) Decide se tornar racista enrustido, porque é mais fácil saber quando não fazer certos comentários e evitar processos.
c) Para evitar que se aproximem de você, decide afirmar a sua masculinidade terminando todas as suas frases com ‘lá ele’.

10 Julho 2009

A gente joga nas onze - Poemas # 2

Pose

Você diz que é diferente
Ele diz que é de paz
A verdade é que toda gente
Mais fala do que faz

Você diz, mas não pratica
E nem vê contradição
Até há quem acredita
Mas eu... Eu não!

Cristão, poeta,
Professor, cientista
‘Sou correto. Sou sensível’
‘Tenho alma de artista’

Você acha que ninguém vê
Talvez, você mesmo não tenha notado
Mas eu percebo o riso e o escárnio
A quem, ontem, tinha o seu respeito declarado.

Nem sempre tem platéia à coerência
Fazer pose é bem mais fácil
E só custa a própria consciência.

28 Junho 2009

Não vai dar tempo


Estou começando a perceber que pode ser mesmo verdade aquele negócio de que o mundo tem mais de 6 bilhões de pessoas. A cada ida ao supermercado, viagem de ônibus pro trabalho ou espera na fila do cinema, me dou conta de quanta gente eu não conheço. O pior é que nunca tendo saído do país, e sem verba pra fazer isso a curto prazo, corro o risco de nunca chegar a conhecer metade das pessoas. De todas elas. É.

Nem é a aflição de nunca poder conhecer todos os contemporâneos famosos.
Não vai dar tempo de conhecer os anônimos mesmo.
Mesmo com 20 perfis lotados no Orkut, com todos os hits do YouTube ou com a torcida do flamengo contando seu cotidiano em até 140 caracteres 60 vezes por dia.
Não vai dar tempo. Mesmo que o mundo não acabe em 2012. Dammit.

Eu não sei o nome da minha vizinha do andar de baixo que me cumprimenta sempre. Pode ser que não seja nem um pouco revelador, entusiasmante, interessante sequer, conhecê-la melhor (assexuadamente), mas como vou saber se não tentar?

Não que as pessoas tenham sempre algo interessante a dizer. A gente aprende isso cedo. Por isso existem aulas de educação física.
Mas, again, como vou saber se não tentar, não é isso mesmo minha gente?

E, pelas barbas de Raul Seixas! Nem sei se o pior seria se todos tivessem opiniões interessantes ou serem do jeito que são. Se já não tá dando tempo de assistir aos extras do filme cult da temporada com os comentários do diretor, produtor e elenco, imagine se TODOS os comentaristas de blogs fossem tão sagazes quanto ruins em ortografia?

Quarenta e dois

E por que conhecer as pessoas? Ora, porque... porque elas podem ter a resposta para a vida, o universo e tudo mais, saca? Por que se as pessoas não sabem tudo, elas descobrem (ou inventam, e já serve) tudo, de novas gírias à função dos genes.
Pra mim é suficiente.
O problema (ou a graça) é que essas coisas acontecem de forma imprevisível.
Você tem que ficar atento, pois nunca se sabe quando ou de onde vai sair a idéia que pode levar o mundo à próxima grande transformação.

Ééé!!!! Let’s go Era de Aquárius.

Há! Analistas são para os fracos! Eu escrevo.

Angústia irrelevante essa?
Eu sei, eu sei que tenho o direito. Eu sei disso, já entendi, Godammit. Mas...
Lá vou eu com a ladainha de sempre. De novo falando sobre o quanto é injusto ter nascido no século vinte e ter que dar conta de todos os dezenove anteriores AND era pré-Cristo...
É, meu filho. No fundo essa é mais uma daquelas descobertas tardias. De como descobri só agora que gosto mais de bolo com chá do que com suco ou refri. Que existem diferenças mais significativas do que eu pensava nos equipamentos pra captação e exibição de material audiovisual. Que cada fone de ouvido é pra um ouvido específico.

Tudo verdade. Sad, but true.

É como se fosse injusto competir com todo mundo que já sabe tudo isso só porque nasceu primeiro.

Isso me faz pensar que na verdade seja eu que queira ser conhecido. Que na verdade eu é que tenho essa pretensão. E que isso pode muito bem nem ter passado na cabeça das outras pessoas porque não estão preocupadas em competir, sendo felizes assim mesmo _ apesar de já ter acumulado observações suficientes pra duvidar seriamente dessa hipótese.

E se ‘pretensão’ for interpretada de forma pejorativa, lá vou eu concluindo com a velha auto-depreciação.

E caráleo!!! Esse tom “Pare-o-mundo-que-eu-quero-descer” tá ficando repetitivo...
Deve ser aquele ciclo dos 7 anos.

06 Junho 2009

A gente joga nas onze - Vídeos # 1




Te cuida, John Lasseter.

13 Março 2009

Watching Watchmen


Se eu parar mais um pouco pra pensar no assunto, provavelmente vou concordar com todo mundo que diz que ‘concordar por si só com o que alguém já disse num debate não acrescenta nada à discussão’, MAANNSS, tendo em vista que a blogosfera nerd hoje já é grande demais pra ser acompanhada por inteiro por qualquer um, vale aqui fazer o registro do que tem sido comentado por aí sobre o filme de Watchmen e com o quê eu tenho concordado e discordado sobre isso (que é o que importa aqui).

Como adaptação cinematográfica, Watchmen está sujeito às mesmas perguntas de sempre: O filme é melhor ou pior que a obra original? Quem não leu a HQ vai entender ou gostar do filme? Nisso, vou logo concordando com Érico Borgo quando recomenda ao leigo que o espírito dessa ida ao cinema deve ser bem diferente daquela de um filme casual.

Bão, é claro que não dá pra avisar todo mundo. Mas aí é que tá. Conseguiria o filme se fazer entender em todos seus aspectos pro público não leitor de quadrinhos? Eu conheço gente que nunca havia lido a HQ (ou quadrinho algum) e achou o filme o pior que viu na vida, e gente que curtiu muito e gente que curtiu e só.

Sabendo que vai nos ser exigido mais que apenas sentar e abrir os olhos durante a sessão, a possibilidade de que todos aqueles personagens, suas motivações e traumas sejam absorvidos, o impacto social e político de super-heróis no mundo real, aquele cenário tenso de um 1985 alternativo, enfim, todo aquele mundo tão rico só vai fazer sentido, pra quem, mais do que abrir os olhos, abrir a mente. É pretensioso e clichê, mas ainda é forma mais curta que eu conheço pra dizer uma coisa bem complexa.

Eu entendo perfeitamente a preguiça. A primeira vez que tive Watchmen em minhas mãos não passei do terceiro número. Foi há 10 anos e eu estava só começando a ler quadrinhos. Apesar de imediatamente ter ficado com algumas das cenas mais fortes da HQ em minha lembrança por anos, naquele momento Watchmen não era o que eu esperava encontrar em uma história em quadrinhos de super-heróis _ constatação correta. Aí eu cansei e desisti _ reação precipitada, mas compreensível para quem só queria diversão despretensiosa.

Imagino que é o que acontece com freqüência com muitos filmes, livros, quadrinhos e qualquer outro tipo de obra de arte que proponha algo mais do que o de costume no seu meio. Para saber se faz parte do público de obras assim, depende de cada um perceber o quanto daquilo que já viu lhe basta e se quer experimentar algo diferente.

Não chegando a lugar nenhum com isso tudo, vou seguir com minhas impressões:

1 – A fantasia de haloween desse ano já é Rorschach disparado.

2 – O slow motion de Zack Snyder não me incomodou, nem a mudança do final.

3 – Gostei da trilha sonora, mas tenho a impressão de que, como disse o comentarista Lostguy da resenha do Judão, deveria ter sido usado mais música instrumental do que foi nas cenas do meio do filme (mesmo que a intenção pareça ter sido repetir a riqueza de referências da história em.quadrinhos).

4 – Ainda não percebi problemas de ritmo no último terço do filme como alguns têm apontado, mas eu só vi duas vezes... então...

5 – Concordo, principalmente, com a opinião, muito popular entre os fãs não radicais, de que o filme não é cem por cento simplesmente porque ele não é a HQ. Ele não dá conta de tanta informação que uma HQ de mais de 400 páginas contém sem a vantagem de se poder parar no meio pra refletir sobre uma cena, um diálogo, voltar umas páginas pra rever algo que passou despercebido, analisar todo aquele universo e pontos de vista narrativos diversos. Watchmen, como filme, não dá essa chance. Por isso, é claro que quem leu vai ter uma experiência mais completa.

MANNSSS... isso não significa que se você não leu não dá pra, no mínimo, se divertir. E isso, se você não faz parte do grupo das pessoas que esperaram esse filme há tanto tempo que o veriam mesmo que tivesse sido feito pelos irmãos Waynans, já vale o ingresso.

01 Outubro 2008

Seqüências e Conseqüências


Harrison Ford está n'A Lista'.

Saiu essa semana a notícia de que está sendo escrito um roteiro pra uma continuação de Blade Runner, considerado um clássico da ficção científica AND um 'cult movie'. Não resisti fazer um comentário sobre a discussão que se criou sobre essa possível seqüência e as virtudes do filme original.

Eu vi o filme recentemente e não achei a coisa mais legal que eu já vi na vida não. Concordo que uma continuação não é necessária, mas só. Na verdade, acho que como ser nerd virou moda agora, e muita gente sabe que idolatrar Blade Runner é pré-requisito pra entrar pro clube, tem gente aí só fazendo pose. Mas isso é tão comum quanto essa mania que a gente (reconheço e me incluo) tem de ficar pré-julgando; essa historinha de "MEO DEOS! Vão estragar um clássico! Esses engravatados de hollywood não aprendem e etcetera"...

Minha teoria pra me conformar de ter uma opinião divergente da maioria é que simplesmente o tema do filme não é novidade pra alguém que viu primeiro os filmes inspirados/influenciados por Blade Runner.

Blade Runner, dizem (e eu acredito) que foi revolucionário na sua época, e por isso mesmo influenciou muitos outros filmes, que naturalmente adaptaram, exploraram, evoluíram vários conceitos seus. Eu vejo muita coisa de Blade Runner em Inteligência Artificial (substitua os replicantes pelo menino-robô que quer ser menino de verdade), Matrix, Exterminador do Futuro (a máquina superando o homem, criatura X criador), Minority Report e O Vingador do Futuro (futuro distópico), acho que até O Quinto Elemento tem alguma coisa.

Acho que Blade Runner é bem mais especial praquelas pessoas que viram o filme na época do lançamento e depois (pq soube q o filme só virou 'cult' anos depois, quando saiu em video) e aí não esquecem daquela revolução cerebral e tal. Agora, eu já até tinha lido Dom Casmurro antes de ver Blade Runner, entende?

Ainda me consolo imaginando que provavelmente vou curtir mais os vários detalhes do filme à medida que for revendo e revendo. Pelo menos é o que diz todo mundo que não gostou de primeira.

Well... Vamos parar de reclamar só um pouco da crise de criatividade da indústria cinematográfica e que venha Tropa de Elite 2, Carros 2, Toy Story 3, Homem-Aranha 4 e 5...

28 Setembro 2008

A gente joga nas onze - Desenhos # 8